Pesquisa desenvolvida por três instituições foi divulgada a autoridades e gestores estaduais em Seminário realizado nesta terça-feira, 12, no Auditório José Farias Nóbrega, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

No Semiárido brasileiro, vários são os desafios envolvendo a água. Para além da garantia de acesso a esse bem universal, questões sobre a utilização de recursos hídricos são complexas e exigem do poder público pesquisas e estudos, como o projeto de integração do rio São Francisco às bacias do Nordeste, o PISF.

Com o objetivo de melhorar a gestão da água na Paraíba, trazendo mais eficiência a processos e padronização de procedimentos, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a Agência Nacional de Águas (ANA) e a Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA) realizaram um projeto conjunto, que foi apresentado nesse evento.

O Seminário Potencialidades do Planejamento Estratégico e Gerenciamento de Processos para a Melhoria da Gestão Estadual de Recursos Hídricos na Paraíba reuniu diversos especialistas, como a pesquisadora Drª. Andrea Carla de Azevêdo (foto), do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, pós-doutoranda em governança e gestão de recursos hídricos.

Representantes das três instituições debaterão sobre os desafios territoriais para a gestão no Estado.

Na ocasião, os pesquisadores associados do IPEA José Adson Cunha e Lívia Antunes apresentaram os resultados preliminares do projeto que mapeou e modelou processos de fiscalização, outorga e licença, cobrança e protocolo emitidos pela AESA, além de ter auxiliado na construção de um painel de indicadores.

O objetivo do estudo é trazer maior eficiência aos serviços prestados à população, por meio da implementação de ferramentas modernas de mapeamento estratégico e gestão de projetos, detalhando rotinas importantes da AESA.
Na Paraíba, os principais desafios nessa área envolvem a gestão de poços, o crescimento acentuado da aquicultura, a irrigação e a transposição do São Francisco.

Parcerias como a realizada entre as três instituições têm atuado para mitigar os impactos desses desafios e tornar mais eficientes e céleres os serviços prestados à população, como as outorgas – concessões legais que asseguram ao usuário o direito de utilizar recursos hídricos.

Na mesa de encerramento do evento, os doutores Cidoval Morais de Sousa e Andrea Carla de Azevêdo, falaram sobre ´Carros-pipa e os Desafios da Segurança Hídrica no Semiárido´.

De acordo com a Dra. Andrea Azevêdo, “não dá para pensar os carros-pipa fora das políticas hídricas e nem dá para pensar as políticas hídricas fora do contexto geral do Estado. Também não dá para pensar os carros-pipa fora das discussões ou da complexidade das mudanças climáticas”.

Para o Professor Dr. Cidoval Morais, “não dá para falar de carros-pipa sem falar das desigualdades estruturais. Experimentamos e temos aqui, no Semiárido, sua face mais cruel mais perversa. Os carros-pipa são, a meu ver, a expressão viva desse contexto de desigualdades estruturais”.

Nesse contexto, Andrea disse que “o sistema dos carros-pipa não pode ser pensado fora do contexto das desigualdades ou dos sistemas que produzem ou retroalimentam as desigualdades”.

E acrescentou:“Osistema alimenta uma cadeia perversa de dependência política e eleitoral que lembra prática coronelista.De um modo mais amplo, existe uma elite e uma ralé da água. Não dá para falar de carros-pipa sem trazer essa estratificação social”.